“Minha nossa, é só desgraça” afirmou uma amiga numa manhã dessas, ao ser anunciada a escalada do telejornal.
Contei a ela nosso segredinho. Jornalismo vive, diariamente, de paradoxos. O jornal anuncia os dados da gripe suína, o lixão europeu descarregado no Brasil, os escândalos do Senado, e termina com os gols da rodada do campeonato brasileiro.
Parando para pensar nessa lógica, eu discordo, e se pudesse interferir, mudaria esta história de que o público precisa saber apenas o que “aconteceu: é notícia”, os fatos do dia.
Também não sou a favor de uma lógica intercalada no estilo problema-solução, mas sugiro um noticiário equilibrado.
Sinto falta de livros, música, cultura, ação social e sobretudo interação com o espectador/leitor.
Deixe-me explicar. Partindo do problema do lixão descarregado no Porto de Santos, por exemplo, que tal falar sobre reciclagem. Tema batido? Por que, então, as empresas estão importando entulho europeu?
Sinto falta de criatividade em jornalismo, e talvez, por isso, nosso ofício recebe qualquer profissional, com uma caneta na mão e uma boa idéia.