Quinze dias se passaram desde que o estudo sobre a recepção televisiva de crianças e adolescentes sobre o caso Isabella Nardoni foi concluído, em forma de monografia acadêmica, por minha pessoa.
O que tirava meu sono hoje é motivo de admiração. O que parecia ser um assunto batido, talvez esquecido, mostrou-se como objeto de estudo a ser ainda pesquisado.
Gostaria de compartilhar alguns trechos das conversas que realizei com espectadores de TV, de 8 a 15 anos, sobre a morte de Isabella Nardoni, e que comprovam a premissa acima.
Crianças:
“O pai que jogou ela do prédio”
“A mulher está chorando e ele está contando a história, que ele está fingindo para a polícia” (referência a entrevista cedida pelo casal Nardoni ao programa Fantástico)
“Eu acho que de noite eles estavam discutindo e com raiva acho que jogou alguém pela janela”
“Pelo que eu entendi no jornal, eles tavam voltando de uma viagem, eles estavam bem no aeroporto. O pai dela tava com ela no colo e a madrasta estava com ciúmes delas, porque toda vez que a menina ia pra casa do pai, ele era espancada… ela morava com a mãe, Não é? Porque ela morava com a mãe. E aí toda vez que ela ia para a casa do pai, a madrasta batia nela. Ai quando foi a noite, foi no dia a menina tava dormindo e para que o pai tava lá embaixo e ai rasgou o arame da janela, rasgou e jogo ela lá de cima.
“Mas ai tia, ele fizeram que nem um filme, só que uma boneca. O pai falando da verdade e ele com uma boneca, só que era uma boneca de pano. Ai tia disseram que parece que entrou uma pessoa lá. Eles tavam lá embaixo e entrou uma outra pessoa lá querendo roubar a casa dela…”
“É uma pessoa que marcou o Brasil todo. Foi uma tragédia muito ruim”
“Ela é tão nova pra morrer tia, tão cedo… nem deu tempo para ela fazer o sonho dela. Daí jogaram ela na cadeia (apontando para Anna Jatobá). Se ela não entrasse ela ia morrer”
Adolescentes:
“Ele bateu na filha e a jogou pela janela”
“Depois que eles descobriram quem matou, perdeu um pouco daquela sede de querer saber quem foram os assassinos, e por isso deixaram um pouco de lado”.
“Passava todos os dias a mesma coisa. Eu já não agüentava mais”
“Eles escolhem um caso para ter isso como manchete, para ter audiência. Não é a primeira pessoa que morreu, não é a primeira a ser assassinada pelos pais”
“Isso mexeu tanto com a cabeça das pessoas que as crianças ficavam com medo dos pais”
Elaine Leme Disse:
on Março 7, 2009 at 1:53 pm
Interessante ler o os pequenos pensam. A midia hoje não fala muita coisa do assunto. Eles ainda não foram julgados, correto?
Continue com o blog, ta. Estarei te acompanhando.
Beijocas