Arquivo paraMarço, 2009

Narizes e filas

Para aqueles que desejam se tornar paulistanos, ou pretendem permanecer um bom tempo por aqui, segue um aviso: você passará grande parte do seu dia em algum tipo de fila, e travará sérias lutas com o seu nariz.

 

espirro2Cinco anos e meio foi o tempo em que vivi imune aos problemas respiratórios, mas agora faço parte da nação que, de tempos em tempos, freqüenta a área de medicamentos de uma farmácia em busca de um ácido ascórbio, pastilhas para garganta, um descongestionante nasal e pacotes de lenços.  E não para por ai.

 

Além disso, saiba que se o seu nariz pede para ir para casa dormir e descasar- quem sabe respirar um pouquinho de ar puro-, ele levará um bom tempo pára chegar até lá. O trânsito dessa cidade é a pauta do assunto de todo o dia. Filas imensas de carros, de ônibus, de gente querendo atravessar a rua, de motoboys, taxistas e afins. Povo e carro que não acabam mais. 

 

Pense só num dia chuvoso, como hoje. “É hoje”, diríamos.

 

E assim foi ontem…  

chuva62

 

Preferi fazer uma hora no trabalho a encarar a Avenida Paulista. O povo cansado do trabalho, louco para chegar em casa, se estressa e se embola no transporte público. Carros parados, pessoas de pé, e chuva caindo lá fora. Cena de uma espera terrível, que as vezes parece não ter fim.

 

Ontem eu preferi me poupar. Meu nariz está doente, tadinho. E mais, li que dois homens morreram de parada cardiorespiratória no trânsito dessa última quarta-feira.

 

Por isso, aprendi com os meus colegas de idas e vindas que uma bolsa deve conter um bom livro, um bom MP3 e um celular com créditos, para dar um alô para aquela amiga que você não vê há dias. Para ser sincera, estou até renovando meu arquivo musical, e concluindo a leitura de um livro que ganhei de aniversário.

 

Afinal, tempo é algo que sobra no caminho para o trabalho e para casa. Só o meu nariz que não gosta muito disso.

 

“Você passa mais tempo no trânsito do que com sua família”, diria um muro na avenida da Consolação. Não quero que essa frase tenha alguma semelhança com a minha vida. Definitivamente não!

 

Alguém, por favor, faça alguma coisa por essa cidade?!

O legado de Isabella

Quinze dias se passaram desde que o estudo sobre a recepção televisiva de crianças e adolescentes sobre o caso Isabella Nardoni foi concluído, em forma de monografia acadêmica, por minha pessoa.  

 

O que tirava meu sono hoje é motivo de admiração. O que parecia ser um assunto batido, talvez esquecido, mostrou-se como objeto de estudo a ser ainda pesquisado.  

 

Gostaria de compartilhar alguns trechos das conversas que realizei com espectadores de TV, de 8 a 15 anos, sobre a morte de Isabella Nardoni, e que comprovam a premissa acima.

 

 

crianca-tv2Crianças:

“O pai que jogou ela do prédio”

 “A mulher está chorando e ele está contando a história, que ele está fingindo para a polícia” (referência a entrevista cedida pelo casal Nardoni ao programa Fantástico)

 

“Eu acho que de noite eles estavam discutindo e com raiva acho que jogou alguém pela janela”

 

“Pelo que eu entendi no jornal, eles tavam voltando de uma viagem, eles estavam bem no aeroporto. O pai dela tava com ela no colo e a madrasta estava com ciúmes delas, porque toda vez que a menina ia pra casa do pai, ele era espancada… ela morava com a mãe, Não é? Porque ela morava com a mãe. E aí toda vez que ela ia para a casa do pai, a madrasta batia nela. Ai quando foi a noite, foi no dia  a menina tava dormindo e para que o pai tava lá embaixo e ai rasgou o arame da janela, rasgou e jogo ela lá de cima.

 

“Mas ai tia, ele fizeram que nem um filme, só que uma boneca. O pai falando da verdade e ele com uma boneca, só que era uma boneca de pano. Ai tia disseram que parece que entrou uma pessoa lá. Eles tavam lá embaixo e entrou uma outra pessoa lá querendo roubar a casa dela…”

 

“É uma pessoa que marcou o Brasil todo. Foi uma tragédia muito ruim”

 

“Ela é tão nova pra morrer tia, tão cedo… nem deu tempo para ela fazer o sonho dela. Daí jogaram ela na cadeia (apontando para Anna Jatobá). Se ela não entrasse ela ia morrer”

 

Adolescentes:

 

“Ele bateu na filha e a jogou pela janela”

 

“Depois que eles descobriram quem matou, perdeu um pouco daquela sede de querer saber quem foram os assassinos, e por isso deixaram um pouco de lado”.

 

“Passava todos os dias a mesma coisa. Eu já não agüentava mais”

 

 “Eles escolhem um caso para ter isso como manchete, para ter audiência. Não é a primeira pessoa que morreu, não é a primeira a ser assassinada pelos pais”

 

“Isso mexeu tanto com a cabeça das pessoas que as crianças ficavam com medo dos pais”