Arquivo paraDezembro, 2008

Últimas impressões

Em breve serei a mais nova pós-graduada do universo!

 

Além de mais um título, terei menos contas a pagar daqui para frente… Brincadeiras a parte, a vida acadêmica, por vezes cansativa, vai deixar saudades.

 

Como saio após um ano e meio de Cásper Líbero e um semestre de Mídia e Poder?  jorna

Apesar de ter cursado jornalismo numa ótima faculdade, nesse pouco tempo adquiri uma nova maturidade de pensar mídia, comunicação e o que for. Teria, digamos assim, uma mente mais epistêmica, menos fundamentalista, e que passa a negar todo e qualquer tipo de respostas prontas e inacabadas. Um pensamento complexo, que saiba enxergar a totalidade dos fatos, da vida, do ser e do existir.

 

Estudar mídia do ponto de vista midiático e extremamente necessário, mas não basta. A inesgotável fonte do pensar é –ironicamente- abastecida pelo sempre querer algo mais.

 

“O objetivo da ciência é o de “sempre descobrir problemas novos e mais gerais, e de sujeitar suas respostas, sempre provisórias, a testes sempre renovados e sempre mais rigorosos” (Karl Popper).

 

Blog

 

Pretendo não abandoná-lo, caro leitor. Apesar de inicialmente ter sido encarado como desafio (nunca fui blogueira), percebi que essa foi uma das melhores propostas da disciplina. Longos e enfadonhos trabalhos impressos foram muito bem substituídos por esse blog.

 

Ele é a expressão daquilo que aprendi e refleti nesses últimos meses. É, em suma, um verdadeiro diário de classe. Além das diversas ferramentas multimídias, que completam muito bem as idéias, o blog dá espaço para novas expressões de opinião, numa linguagem menos formal, talvez mais acessível.

 

Experimente você também =)

 

Mídia e Poder

 

Diversos conteúdos da disciplina já faziam parte do meu repertório. Contudo, como comentei anteriormente, o que me chamou a atenção nessa etapa foi o fato de perceber que é possível unir diversos conhecimentos para se analisar um determinado evento, fato, seja o que for. Ou seja, a mídia não é a única dona da razão, assim como nenhuma outra corrente ou ciência é capaz de explicar completamente- e sozinha- um fenômeno.

 

 Afinal, “a vida ultrapassa o conceito”. (Tomás de Aquino)

 

liberdade

 

Creio que o ponto alto desse semestre foi o debate promovido através dos últimos seminários, que comprovaram a possibilidade de discutir mídia por outros meios e caminhos. As obras analisadas (fiz um comentário sobre elas em um posto anterior) dão margem para inúmeras reflexões e abriram caminho para a criatividade dos alunos.

 

Deixo também um “alô” ao professor Dimas (veja lá que nota o senhor vai me dar hein, eu mereço 5 pelo blog!!!!), fã da culinária capixaba. Obrigada pela paciência, pelo clima descontraído da sala (afinal, o professor dita as regras- “Another brick in the wall: Pink Floyd”, heheheheh) e pelo espaço dado aos alunos, seja no seminário, seja nas discussões em aula. Veja só como ele nos obrigava a ficar em classe… hahaha! Brincadeira professor!

brick 

Até a próxima!

 

Caroline

Vídeo: Mídia e a sociedade do espetáculo

Segue para apreciação um vídeo que resume um pouco daquilo que nós, os sete abutres, tentamos repassar aos colegas de classe no último seminário.

 Lembrando que apresentamos o filme “A montanha dos sete abutres” com ênfase na espetacularização da notícia.

 

 

Agenda setting: De vilã à mocinha no caso Santa Catarina

Para os que trabalham à caça de informações relevantes para seus veículos, como eu, as notícias sobre as enchentes de Santa Catarina devem ter ocupado um bom espaço nas pautas ultimamente. Isso tem acontecido aqui no meu trabalho, assim como em todos os sites, jornais, revistas e afins de todo o Brasil.

 

Vejo que, nessas horas, o trabalho de apuração e investigação, a busca por novos conteúdos, ângulos, pontos de vistas e depoimentos, enfim, o que vier para somar e completar é muito bem-vindo. Desde que, claro, não alcance proporções espetaculares (como comentado no seminário sobre o filme “A montanha dos sete abutres”). 

 

Aqui a agenda setting é bem-vinda, e não ganha o tom crítico dos estudos sobre o poder da comunicação de massa.

 

Hoje recebi um material sobre as enchentes em Campos (RJ). Eles também precisam de ajuda. Nossa divulgação é valiosa nessas horas.

 

Quase fui convocada para presenciar a situação de SC de perto, mas não deu certo. Gostaria muito de relatar a situação “vista por meus olhos” (pleonasmo necessário nesse contexto). Por enquanto ainda fico por aqui, em São Paulo, correndo atrás da notícia por e-mail e telefone =(

Homo spetaculus

Na semana passada meu grupo fechou a maratona de seminários da disciplina. Para apresentar o filme “A montanha dos sete abutres” (Ace in the hole-1951) dando ênfase ao conteúdo ministrado nas aulas de Mídia e Poder, optamos por abordar a metáfora do “Pão e Circo” e o conceito de espetáculo relacionado ao noticiário.

 

No filme, um jornalista (Tatum) precisa de um grande furo de reportagem para alavancar novamente sua carreira, num pequeno jornal de uma cidade. A caminho de uma cobertura aparentemente inútil, ele e seu auxiliar param num vilarejo pacato, cuja atração é apenas uma mística ruína.

 

Contudo, Tatum descobre que um mineiro está preso na montanha, vítima de um soterramento. E como dramas humanos eram (e ainda são) ótimas fontes de notícias, o jornalista começa, a partir de então, cobrir o fato, ao ponto de dar ao caso uma repercussão desnecessária. No fim das contas, a tragédia vira uma atração espetacular.

 

Confira o vídeo abaixo, ele resume bem o que acontece:

 

 

Além de Tatum manipular lideranças locais, relacionar-se exclusivamente com Leo Minosa (o mineiro) e controlar as táticas de resgate, o jornalista vira uma estrela, e tenta, de todo modo, resgatar seu emprego em Nova Iorque. No fim das contas, Leo morre de pneumonia, e de jornalista, Tatum passa a ser a fonte oficial dessa notícia.

 

Como bem diria Guy Debord, a sociedade possui um gosto tão grande por espetáculos, ao ponto de ser um grande agente dos mesmos. O que quero dizer que Tatum não foi o único responsável pelo Circo que se instalou em torno da tragédia da montanha, mas as pessoas sentem uma enorme necessidade dar um sentido para a vida através dos dramas alheios. Assim, casos como Isabella Nardoni, Eloá e Madeleine rendem dias e dias de espetáculos.

 

No fim das contas, creio que existe uma nova espécie Homo a ser estudada nas academias. Homo sapiens, Homo ludens, Homo demens e tantos outros, unem-se, agora, ao Homo spetaculus.