3 meses de jejum

Hoje, dia 28 de outubro, meu blog completa 3 meses de jejum. Uma boa data para romper essa ausência de comentários a respeito do mundo.

Desde então (julho, quando publiquei meu último post), muitas coisas aconteceram no universo e comigo, dignas de observação.

Mas o que me faz escrever novamente é, mais uma vez, a ausência de um jornalismo livre e criativo, em tempos de furo, pressa e competição de nossos veículos. Ter um blog virou, para muitos, uma obrigação do ofício. Para mim, trata-se de um escape, uma fuga dos textos quadrados e lógicos que costumo ler e escrever.

Se no Twitter é preciso escrever 140 caracteres, aqui encontro espaço para muitos deles.

Que venha a inspiração!

Errei!

Errar é humano, diria o ditado, mas no fundo ninguém gosta de errar.

Em jornalismo, se você erra, erra feio.

Eu já errei, duas vezes, e só.

map_senegalA primeira foi ao dizer que o Senegal está localizado no continente asiático. Na verdade eu sabia, com toda certeza, que o país ficava mesmo é na África, contudo foi publicado o termo asiático.

Duas pessoas, além de mim, leram o texto, mas ninguém percebeu. Dias depois, o jornal circulando, o leitor, atento, apontou o erro via e-mail.

Publica-se, então, o famoso “erramos”.

A última foi na semana passada. Afirmei, em uma matéria on-line, que o evento X se deu na capital do Sergipe, Alagoas. No dia seguinte, cinco e-mails, diretos de Aracaju, alertavam a tonta da jornalista que, em tempos de internet, não parou para checar a relação estados/capitais.

Contudo, caro leitor, sei que a capital do Sergipe é Aracaju, mas não me pergunte como escrevi Alagoas.

A sorte é que, em jornalismo on-line, a correção leva apenas um minuto. Não publicamos mais o bendito “erramos”, e o pedido de desculpas fica a cargo do autor. Optei por enviar uma sincera e agradecida mensagem aos meus leitores, pois sem eles, não faço idéia de quanto tempo levaria para notar a confusão que fiz.

Começo a achar que até janeiro, quando então entrarei de férias, ainda vou bagunçar alguns mapas.

O noticiário cansa

“Minha nossa, é só desgraça” afirmou uma amiga numa manhã dessas, ao ser anunciada a escalada do telejornal.

Contei a ela nosso segredinho. Jornalismo vive, diariamente, de paradoxos. O jornal anuncia os dados da gripe suína, o lixão europeu descarregado no Brasil, os escândalos do Senado, e termina com os gols da rodada do campeonato brasileiro.

Parando para pensar nessa lógica, eu discordo, e se pudesse interferir, mudaria esta história de que o público precisa saber apenas o que “aconteceu: é notícia”, os fatos do dia.

Também não sou a favor de uma lógica intercalada no estilo problema-solução, mas sugiro um noticiário equilibrado.

Sinto falta de livros, música, cultura, ação social e sobretudo interação com o espectador/leitor.

Deixe-me explicar. Partindo do problema do lixão descarregado no Porto de Santos, por exemplo, que tal falar sobre reciclagem. Tema batido? Por que, então, as empresas estão importando entulho europeu?

Sinto falta de criatividade em jornalismo, e talvez, por isso, nosso ofício recebe qualquer profissional, com uma caneta na mão e uma boa idéia.

Amor Líquido (parte 1)

O tempo passou, eu andei bem sumida e muitas coisas aconteceram, seja no mundo, seja comigo. 

Pessoas morreram, como o Michael Jackson, e creio que muitas outras nasceram. Os dias se passam, com pressa, e com eles vejo mais e mais apressados pelas ruas. Atropelam o que veem pela frente, furam filas, ignoram os que precisam de ajuda e aproveitam para soltar uma baforada de cigarro no ar.    

“Estou na correria, não incomode” é a expressão que vejo, ultimamente, no olhar das pessoas. 

Essa é a frase do século, diria um professor da Cásper, Dimas Kunsch. Seria também mais um sintoma da superpopulação, termo que insisto em usar todas as vezes que essa cidade me causa pavor. 

amor liquidoMas acima de tudo, “estar na correria” é uma máscara imposta no rosto daqueles que são vítimas de um fenômeno dos tempos modernos: o amor líquido. O termo é, originalmente, do sociólogo polonês Zigmunt Bauman. Líquido, aqui, significa algo que se esvai com o tempo, que não é sólido, mas se desmancha no ar, como diria Karl Marx.

Os laços humanos, os vínculos, estão cada dia mais frágeis. Isso não é algo novo, é fato anunciado na Bíblia. O amor está se esfriando.

Por amor entenda não comente a relação homem e mulher, mas o cuidado em relação ao outro, ao próximo, talvez uma questão de cidadania, caso deseje simplificar. Ao meu redor não vejo mais pessoas educadas, gentis. Todos estão na correria, portanto, sem tempo para boas maneiras.

Tenho amigos que reclamam de certas mulheres e as consideram grossas por não permitirem que eles abram a porta do carro. Outras insistem em dizer que, dos homens, elas só faltam apanhar. No mínimo paradoxal, não é mesmo?  

Seja lá como for, infelizmente passo a considerar o amor líquido como fato. Mas creio que há ainda há tempo de recuperá-lo. Embora, as vezes, eu tenha vontade de nadar a favor da correnteza e parar de me importar com as coisas, e principalmente com as pessoas, minha consciência insiste em me acusar.

Por isso seguirei “perdendo” meu tempo com pessoas, mesmo que outros insistam em ignorá-las.

Peço que os adeptos desse pensamento se manifestem, assim não me sentirei só em meio ao caos do amor líquido.

Reflexões estranhas sobre Habermas, jornalismo e diploma

Hoje, dia 18 de junho, o filósofo alemão Jürgen Habermas completa 80 anos.

Habermas traz à memória as aulas de Teoria da Comunicação na Faculdade de Jornalismo que cursei em quatro anos da minha vida, dos 17 aos 21.

Lembro muito bem daquela velha discussão sobre a esfera pública, a alusão a Ágora Grega e o papel da mídia/jornalismo nisso tudo. Também na Cásper, no período da pós-graduação (um ano e meio), o Habermas voltou a dar as caras, aliás, foi até citado na minha monografia.

Mas nem só de Habermas vivemos. Textos de Freud, Jung, Marx, Platão e tantos outros misturavam-se as apostilas de Finanças, Economia, bem como aos textos de História. Sem contar nas anotações e pautas jornalísticas, técnicas de entrevistas e edição.

Pensa que é fácil?

Para os ministros do Supremo Tribunal Federal sim.

Pois se foram necessários esses quatro anos de faculdade bem cursados para receber o diploma, salientando a habilitação em jornalismo, o que tenho agora dentro daquele canudo vermelho de veludo?

Amanhã recebo da Cásper Líbero o título de especialista em Comunicação Jornalística. E esse, como deverei tratar? Afinal, um é consequência do outro.

Colocar o destino de nossa profissão na mão daqueles que talvez nem saibam quem é Habermas me dá a idéia de pleitear um cargo de ministra do STF. Deve ser tão fácil quanto exercer jornalismo.  

 (…um dia revoltado)

3 dicas de filmes para o feriado

Obs: Créditos das fotos: Site Adoro Cinema

 Com o feriado chegando, a chuva caindo em São Paulo, aproveito para dar dicas de três filmes muito bons.

Para quem não sabe, sou fã de obras com finais estranhos. Por estranho entenda algo não hollywoodiano, ok?

 A Troca

Estrelado por Angelina Jolie, conta a saga de uma mãe que, ao voltar do trabalho para casa, não encontra seu único filho, que por sinal é o único a viver com ela. Meses se passam e a polícia de Los Angeles diz ter resgatado a criança, mas entrega um menino que não é, de fato, filho da personagem de Jolie.

A mãe tenta convencer os investigadores a recomeçarem as buscas, mas sem sucesso, e acaba sendo acusada por maus tratos ao menino substituto (que por sinal é um farsante) e desrespeito a polícia.

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Pra quem gosta de chorar, eis uma boa dica.

 Desejo e Reparação

Esse está na minha lista top 5. Sem dúvidas esse é um filme inteligente, com uma narrativa super interessante.

Conta a história de uma menina (Briony) que interpreta fatos que acontecem em sua casa de maneira errada, e acaba por provocar uma situação baseada nos seus pensamentos a respeito de um rapaz (Robin- James McAvoy), chegando a condená-lo por crimes que ele não havia cometido. Tudo isso porque sua irmã mais velha (Cecília- Keira Knightley) mantinha um suposto relacionamento com ele, mas não assumia para a irmã menor.

O tempo se passa, o jovem é preso, a filha mais velha retira-se de casa e Briony entra para o trabalho voluntário como enfermeira, no período da guerra. Robin e Cecília se encontram, com a promessa de retomar o relacionamento com o término dos conflitos. Nesse meio tempo Briony tentará amenizar o mal que causou e explicar suas atitudes (daí o título do filme), contudo somente o casal poderá mensurar os impactos da imaginação fértil da garota.

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O final é impressionante. Garanto que não acontece o que você está pensando.

 A duquesa

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Filme de época, conta a história Georgiana (Keira Knightley), que se tornou a Duquesa de Devonshire em casamento arranjado, conforme tradição da época. Sua vida foi marcada pela frieza do marido, a demora para conceber um filho homem, a vida política/ burguesa da época e a crescente maturidade daquela que antes não passava de uma moça, mas se tornou uma mulher influente e bastante comentada na época.

Vale a pena assistir pela história e figurino do filme, lindíssimo.

 Bom feriado =)

Brasília

Semana passada estive em Brasília, capital do nosso país Brasilllll.

Cheguei no DF quinta, bem no momento do almoço. Sai do hotel rumo a um ponto de ônibus X para entrar numa condução Y que me levaria até a Esplanada dos Ministérios.

Foram 30 minutos de muita preocupação. Eu deveria ir até a rodoviária e de lá ainda encontrar outro ônibus que me levasse até o Lula. Detalhe: nunca tinha passado por lá. Tudo era muito desconhecido.  

A cidade é muito organizada e planejada, mas estranhei o fato de que durante o percurso não se descobre a cidade. Não vi prédios, torres, casas, nada.  Às vezes tinha a impressão de estar numa estrada, pois as placas apontavam “Goiânia, X km” ou “Recife, Z km”.

No fim das contas, desci na Rodoviária e nem precisei entrar em outra condução. Já estava bem na Esplanada.

Brasília tem o céu mais azul que já vi, os motoristas pararam ou diminuiram a velocidade para que eu atravessasse a rua, e a semana acaba na quinta-feira a tarde.

Acho que vou morar lá…

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Meu interesse por rádio

Há duas semanas estou aprendendo mais um pouco sobre Jornalismo 2.0 pelo Knight Center of Journalism in the Américas, ligado a Universidade do Texas. E quando assunto é internet e o futuro da minha profissão, tenha certeza que teremos um sério debate sobre fim dos meios de comunicação “tradicionais” e o avanço da web como fenômeno midiático.

Não quero falar de internet agora, até porque atuo nela, e talvez seja esse o destino final de nossas publicações. Apesar de não possuir uma natureza bélica, ela veio para ficar. Contudo, gostaria de comentar que ainda tenho prazer em escutar rádio todas as manhãs e no fim dos dias.

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De uns tempos para cá troquei a Band News pela voz de Milton Jung, na CBN. O que me atrai a esse canal é o seu caráter noticioso, sobretudo sua prestação de serviços à comunidade. Acho que Milton tem a mesma “séria preocupação” que me envolve: o temor da superpopulação e os direitos e deveres do cidadão no trato com sua cidade. 

Foi ouvindo a CBN que descobri que há um funcionário do governo (não lembro bem se é federal, estadual ou municipal) visitando o Japão para avaliar como essa nação está lidando com o “boom” populacional. Ouvi dizer que os japoneses preferem se aglomerar no metrô a provocar um caos no trânsito. Acredite!

Através dos comentários de Milton, estou pensando em me engajar no projeto “Adote um vereador”, cujo objetivo é acompanhar o trabalho de nossos representantes e compartilhar suas impressões. Um favor a se prestar à cidade.

Gosto particularmente do Milton porque ele emite comentários sérios, responsáveis, que me fazem refletir a respeito das matérias. Sinto também que ele não tem medo de fazer perguntas em meio a uma entrevista ao vivo, indo direto ao ponto: é ou não é?

Isso me leva a concluir que um jornalismo bem feito não depende de um suporte, mas sim do compromisso com a notícia. Na internet, na TV, seja onde for, é possível atrair o público e cativar seus pensamentos, levando-o a agir em nosso mundo.

E o mais interessante: Milton nunca deixa de fazer menção ao site da CBN e a seu blog (onde é possível encontrar mais informações sobre as notícias veiculadas). É a internet caminhando ao lado da “velha mídia”.

 Visite: http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/

Obs: Imagem retirada do blog igorfranca (blogspot)

O texto que escrevi ontem

Terça-feira é sempre melhor do que segunda, ainda mais quando essa trás consigo toda preguiça de um feriado que se passou. Só então coloco os pensamentos em ordem. 

Maio começa com boas notícias. Fui selecionada para a quarta turma do curso de Jornalismo 2.0, do Knight Center for Journalism in the Américas, filiado a Universidade do Texas. O acesso a plataforma on-line de ensino começou ontem (4 de maio) e, de cara, a primeira tarefa: criar um blog!

Já que não posso utilizar esse espaço- eles pedem para que os alunos criem uma página somente para as atividades do curso- acabei criando o “Mundo Dois Ponto Zero”. Confira em: mundodoispontozero.wordpress.com  

Jornalismo a parte, fiquei mais contente ainda ao ver o meu time, o Flamengo, derrotando mais uma vez o nosso freguês, Botafogo. Maravilha!!!! Com direito a três pênaltis defendidos por nosso goleiro. goleiro-flamengo

Créditos da imagem: Flamengo-RJ (www.flamengorj.com.br)

Prefiro os 3 porquinhos

Essa tal de gripe suína, que primeiramente só me deixou com pena dos porquinhos, agora começa a “me dar coisas”, como diria o dr. Chapatim, personagem do ator Roberto Gómez Bolaños.

 

Hoje, ao fazer aquela leitura rápida nos principais sites de notícias, vi que até o meu querido estado, Espírito Santo, está monitorando dois pacientes suspeitos, que visitaram o México recentemente.

 

Para quem não sabe, o vírus Influenza A causa uma doença respiratória que pode ser contraída pelo contato pessoa-pessoa.

 

Penso que aqui em São Paulo, onde todos ficam aglomerados horas e horas no metrô, no ônibus (seja lá onde for), não seria muito complicado para o vírus se espalhar. No aeroporto de Guarulhos já existem pessoas usando máscaras.

 

Sou inimiga declarada das filas e dos ajuntamentos de pessoas em excesso, e digo mais uma vez que é necessário repensar a vida nessa cidade, não porque estamos num momento de alerta, e sim pelo fato de que a gripe suína é, na verdade, mais um sintoma de uma doença maior: a superpopulação.

 

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Somos, ao todo, (segundo dados da Prefeitura de São Paulo), 10.886.518 habitantes. No México, onde a doença se espalhou mais rápido, está localizada uma das cidades mais populosas do mundo.

 

Minha indignação não é contra o número de pessoas que aqui resolveram se instalar. Se fosse assim, eu seria a primeira a ter que correr de volta para o ES. O fato é que a “superpopulação” ainda não é um fator preocupante e decisivo na tomada de decisões de nossos representantes, ao pensar em São Paulo.

 

Eu desejo que a gripe suína não nos atinja e que ela não se torne um mal necessário, para alertar aqueles que ainda não perceberam que somos uma superpopulação suscetível a muitas surpresas nada agradáveis.

 

Como lembrança para nós, brasileiros, paulistanos, desejo apenas a história dos três porquinhos.

 

(Obs: a imagem utilizada nesse post foi copiada do site “Portal Carangola”)

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